Celebrar o dia Primeiro de Maio?

Foi maio de 1886[1] que milhares de trabalhadores foram às ruas de Chigago reivindicar melhores condições de trabalho, entre tantas questões, a alteração da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Neste mesmo dia, ocorreu nos Estados Unidos uma grande greve geral dos trabalhadores. Aqui no Brasil a data é comemorada desde 1895, tornando-se oficial em 1924. Nesse mesmo ano, instituída como feriado nacional, a data tinha como objetivo homenagear trabalhadores que se tornaram mártires e momento de celebração das classes operárias. Pouco tempo depois a celebração passou a assumir um caráter cívico: divulgação de leis e benefícios trabalhistas. Protestos eram deixados de lado.

Nesse primeiro de maio de 2017, talvez um grupo de pessoas tenham o que comemorar enquanto aguardam aprovação do Senado Federal em relação a reforma trabalhista no Brasil, por outro lado, outros irão lamentar por tantas conquistas alcançadas e que atingem uma grande porcentagem da população brasileira, que afeta diretamente os mais pobres, aqueles q aquelas que realmente necessitam de melhores condições trabalhistas. Evidentemente cada classe social, empresarial, trabalhista, entre outras, têm olhares diferenciados.

 

Questões pelas quais o Brasil passa atualmente são motivos de debates, reuniões, em várias esferas da sociedade entre elas, a igreja apresenta seu posicionamento. O Colégio Episcopal da Igreja Metodista no Brasil, apresenta alguns esclarecimentos que podem nos ajudar a entender um pouco mais essas situações. Transcrevo alguns parágrafos que se encontram nesse mesmo site. Para a leitura na íntegra, acesse: Manifesto dos bispos e bispas.

 

As últimas votações de projetos importantes para a economia atual e para o futuro de todo o povo brasileiro são motivo de dúvidas e inquietações de toda parte. É tempo de superar as dubiedades e dicotomias partidárias a que nós nos submetemos vez ou outra para perceber que acima de posições de direita, esquerda ou centro, todas as pessoas igualmente sofrerão impactos, cujas proporções serão maiores sobre aquelas que menos se podem defender. Por isso, a Igreja Metodista se soma às demais vozes que já ecoam profetizando e denunciando os perigos da precipitação da tomada de decisões, sem levar em conta os clamores populares que de todos os lados clamam por cautela e transparência nos interesses que levam ao momento crucial que experimentamos. Este manifesto não é apenas para nosso povo, no seu âmbito denominacional, para todas as pessoas que ensejam tempos melhores para nosso país, como luz da graça e da justiça de Deus para todos os povos da terra, como herdeiros e herdeiras das promessas divinas feitas a Abraão, de que todas as nações podem e devem ser abençoadas. Isso significa paz, justiça, equidade e proteção para todos e todas […]

Que bom que conseguimos conviver com nossas diferenças, que certamente são muitas ideologias, entre algumas delas, as ligadas as questões políticas e sociais.Pra falar a verdade, não sei direito se temos algo para celebrar nesse primeiro de maio. Penso nas crianças que são escravizadas para o “ganha pão de cada dia”, o índice do desemprego só aumenta, a inconstância da instabilidade no trabalho, gera um medo e provoca tantas questões emocionais que certamente afeta a saúde de homens e mulheres que saem cedo e não sabem se ao voltarem pra casa terão a certeza do trabalho nos dias seguintes…Próximo domingo, como sempre fazemos em nossas reuniões dominicais, nos encontramos para adorar a Deus, louvar e interceder. Não nos esqueçamos em nossa lista, de incluir o Dia dos/as trabalhadores/as. Certamente somos um/a delas/as. Ósculo santo para todos/as.

 

[1] Texto adaptado do site: http://www.suapesquisa.com/datascomemorativas/dia_do_trabalho.htm
Acesso em 27/04

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